Pais, deixem os filhos viver

Pais, porque têm medo que os vossos filhos errem?

Pais, porque os querem meter numa jaula dourada e protegê-los como se fossem pássaros bebés uma vida inteira?

Pais, porque têm tanto medo que os vossos filhos sofram?

Pais, porque não deixam os vossos filhos viver?

Vejo todos os dias pais a sofrerem e altamente ansiosos por causa das vida dos seus filhos.

Vejo todos os dias pais altamente ansiosos porque “mandam” os seus filhos estudar, e eles não estudam.

Vejo todos os dias pais altamente ansiosos porque gostavam que tivessem um desempenho escolar e artístico que não têm, a não verem os filhos a crescer longe das expectativas que criaram para eles.

Vejo pais altamente dependente dos filhos e filhos altamente dependente doa pais, seu qualquer grau de autonomia e responsabilidade.

Porquê?

Porque os pais não permitem que os filhos errem, que os filhos percebam por si que caminho querem seguir.

Porque cresceram protegidos no jaula que prometia um futuro mais controlado e risonho, e originou um pássaro que não consegue nem sabe voar sozinho.

Reprovar um ano escolar, não é o fim do mundo.

Descer a notas e ter um desempenho abaixo das suas capacidades não é o fim do mundo.

Ter filhos com experiências de fracasso não é o fim do mundo, antes pelo contrário, porque não há vida sem fracasso nem frustrações, é sim, viver e aprender com as próprias escolhas e experiências.

Filhos precisam de pais presentes, disponíveis e afetivos, não de pais dependentes dos seus resultados, melindrados com uma ou mais negativa, ou desolados porque os filhos não estão a ser aquilo que eles queriam que fossem, mas não o são, porque os mesmos pais, não os deixam crescer. E crescer, está muito longe de ser apenas o resultado de um desempenho escolar.

Diana

Fotografia | Ritabela Santos

Anúncios

Viver, só com paixão!

Viver sem paixão, é viver sem razão.
Viver sem paixão, é viver sem amor, sem vida, sem intenção, sem tudo aquilo que dá motivo para levantar de manha e deitar à noite com a sensação de missão cumprida.
Viver sem paixão por aquilo que se é, por aquilo que se faz e sente, é viver sem cor e sem amor, em sobrevivência, pendurado à ilusão de que viver em paixão é impossível, ou que só será possível para alguns.
Viver com paixão, é vibrar por tudo aquilo que se é e tem.
É viver pleno de amor, de propósito e de brilho.
É viver com motivos para sorrir, com motivos para beijar, com motivos para levantar e recomeçar as vezes necessárias.
É viver com entrega e devoção.
É viver de paz e plenitude porque se faz o que se ama, e se ama intensamente o que se faz.
Viver com paixão é conseguir tocar tudo com amor e entrega.
É saber que o amanhã será sempre especial, que o ontem pode ser a interpretação que fazes dele, e que cada segundo que vives, é teu, no teu amor, e com a tua paixão.
Viver com paixão, é saber porque se vive, é saber como se quer viver, por muitos desafios vindouros.
Viver com paixão é viver com sorriso no rosto, com energia na pele, e amor no coração.

Diana

Assim Espero…

Espero que um dia vejas em ti aquilo que eu vejo,
que percebas o poder do teu sorriso,
a tua graça de ser,
o mundo que espelhas de dentro de ti e não vês,
as tuas virtudes e as tuas forças,
a tua forma única de ser pessoa.

Espero que um dia vejas em ti aquilo que eu vejo,
que te apaixones por ti como eu me apaixonei,
que ames o corpo que te permite viver,
que consigas ver fora de ti um motivo para viveres com tudo aquilo que és e tens.

Espero que um dia vejas em ti aquilo que eu vejo,
que te olhes de fora,
e que te encantes por ti.

Espero que um dia vejas em ti aquilo que eu vejo,
e vou continuar a ver,
porque existe,
e só tu não vês.

Diana

Fotografia | Teresa Lamas Serra

Parece normal, mas não é

Parece que é normal andarmos todos tristes,

parece normal andarmos todos ansiosos,

parece normal andarmos todos ausentes do nosso propósito de vida,

parece normal andarmos todos de cabeça baixa e olhos no chão,

parece normal andarmos todos irritados e sem paciência,

parece normal o consumo excessivo de drogas que nos fazem esquecer a tristeza, e sossegar o medo intenso de viver,

parece normal andarmos todos com excesso de peso e doentes, parece normal andarmos sem sorriso e sem brilho no olhos,

parece normal bebermos para esquecer e fumarmos para tranquilizar,

parece normal desconfiarmos de todos e resolver pontos de vista diferentes com armas e guerras,

parece normal andarmos todos cansados, parece normal sabermos mais dos outros do que de nós,

parece normal vivemos relações tóxicas e com ausência de amor,

parece normal a ausência de vida que quase todos vivemos.

Parece, mas não é…

Diana

Fotografia | Ritabela Santos

Viver com emoções

Lidar com emoções parece das coisas mais difíceis de conquistar.
Vivemos angustiados por permanecermos tempo demais em emoções mais pesadas, ou receosos que as mais leves, que nos fazem sentir bem, desapareçam, e a escuridão volte. E neste limbo de emoções vivemos grande parte das vezes com o desejo intenso de as controlar, criando à volta do controlo uma tremenda ansiedade, que só nos afasta da harmonia emocional.

Acredito que a única forma de lidarmos com as emoções é aceitá-las. Aceitar a mensagem que cada uma traz, aceitar o que todas as emoções são importantes, bastando para isso aceitá-las, tal como surgem.

Quando nos permitimos aceitar aquilo que sentimos deixamos de criar resistência ao processo de transformação da própria emoção, e sem resistência, qualquer mudança é muito mais fácil e perene. Não há emoções boas nem más, há apenas emoções que nos trazem mensagens sobre os nossos pensamentos e o nosso mundo interior, que devemos escutar com carinho e aceitação. Há emoções que nos fazem sentir melhor, mais leves, de bem com a vida, mais bonitas e harmoniosas, e são essas com que queremos viver predominantemente, mas por outro lado, há emoções mais pesadas, que nos tiram vida, que carregam no peito, que asfixiam a garganta, que nos intoxicam de negatividade, e destas queremos fugir porque não nos fazem sentir bem. Estamos certo que nos queremos livrar destas últimas, porque sabemos, que viver bem é viver em harmonia com as nossas emoções, com o predomínio das emoções mais leves e vibrantes. No entanto, todas são importantes, e precisamos de aprender a viver com elas, porque todas elas nos dizem algo sobre nós e sobre o mundo. Controlar emoções talvez não seja o caminho mais saudável para viver equilibrado.

Prefiro um processo de transformação a um processo de controlo, isto partindo do principio que todas as emoções são importantes, que todas trazem uma mensagem, assumindo a depois a responsabilidade de as transformar, sem resistência e sempre com muito amor.

Diana

Fotografia | Teresa Lamas Serra

Ego

Ego, que dá identidade,

que dá rosto,

que dá forma e vida,

que dita quem somos, e o que queremos,

que dita como vemos os outros,

como nos relacionamos com eles,

que nos torna únicos e especiais,

mas também igual a todos os outros.

Ego que tanto trabalho nos dá,

quando vivemos só em função dele,
quando bajulamos os seus caprichos,

e o enaltecemos de uma falsa grandeza,

quando acreditamos que somos tudo o que ele acha que é,

quando acreditamos que não somos nada,

quando acreditamos que tudo gira à sua volta,

e em torno da sua singularidade.

Ego, que tão importante és na nossa construção,

assim como a tua dissolução na naquilo que somos,

num mundo com tantos outros egos.

Ego de rostos e visões,

que vale só pelo que é.

Ego central no mundo da identidade,

Ego secundário,

no mundo que prefere a felicidade e a liberdade,

à razão.

Diana

Fotografia | Ritabela Santos

Os filhos do divórcio

É comum ouvir que os divórcios trazem à tona o pior das pessoas.

Aqueles que em tempos faziam juras de amor, parecem agora querer fazer juras de dor, com o anunciar de uma separação. O apego, o desespero, a frustração, a perda, ou o que quer que seja transforma, cada vez mais, os divórcios em campos de batalha.

Não vou falar do divórcio em si, mas cabe-me conscientemente fazer hoje uma reflexão sobre os filhos do divórcio. Os filhos do divórcio são aqueles que nada têm a ver com as escolhas dos pais, mas que são os primeiros a sofrer com elas. Mais vale um “bom” divórcio que um “mau” casamento e quando já não há sentimento ou algo que una o casal, o divórcio será a via mais aceitável e inteligente, diria. No entanto, aquando de um divórcio os pais tendem a ter alguma dificuldade em pensar no bem-estar dos filhos e no que será importante para eles. Muitas vezes entram em batalhas egóicas onde só prevalecem as necessidades individuais de cada progenitor, onde o pior de cada um vem ao de cima e as necessidades da criança são esquecidas. Entra-se no “eu quero”, esquecendo-se muitas vezes do que eles (filhos) querem e precisam.

Nenhum filho deve ser objeto de negociação, manipulação ou chantagem. As crianças sentem quando o são e muito do sofrimento que vivem pela perda real da dinâmica familiar é prolongada por perceberem que são “bolas de ping-pong”.

O divórcio é uma solução mas não se pode perder a consciência do papel protetor de cada pai. Os filhos dos divórcio precisam de ser ouvidos, escutados e respeitados com todas as suas necessidades, das básicas às mais abstratas.

Que cada pai e mãe não se esqueça que desejou ter um filho para o fazer feliz. Às vezes, a felicidade passa por ter os pais a viverem em tetos diferentes, mas sempre com a mesma missão: fazer os filhos felizes, não com bens materiais, mas com ações de amor e consciência.

Diana

In Crónicas de uma vida que se vive todos os dias

Fotografia | Ritabela Santos

Merecer a Felicidade

“Não mereço ser feliz”,
“Não mereço que me acontecem determinadas coisas na minha vida”,
“Não mereço que a vida me corra bem ”
“Não mereço…”,
Ouço-o tantas vezes…

Mas não merece porquê?

O que nos faz acreditar que não somos dignos de amor e de felicidade?
O que trazemos dentro de nós, que nos faz pensar que não temos o direito à felicidade?
Serão aqueles que interpretamos como os nossos erros ao longo da vida que nos tiram o merecimento de amor e de felicidade?
Será tudo aquilo que já fizemos e que julgamos como mal feito que nos faz achar que a felicidade será sempre um assunto para outros e não para nós, porque nos portámos mal, e portanto esse direito nos é renegado?
Estou certa que todas estas crenças vivem naqueles que acreditam que não merecem ser felizes. No entanto, tal como tantas outras crenças, também estas não estarão corretas, porque caso estivessem, não haveria ninguém feliz no mundo, porque não há vida sem experiências (boas e más), e vamos vivendo cada uma delas da melhor forma que sabemos e podemos.
Será a cultura da culpa e do julgamento constante que nos permeia com essa crença de que somos más pessoas, que não merecem ser felizes? Estou certa que sim.
Estou certa que todos temos o direito de ser feliz, que todos temos aquilo que precisamos para o ser, dentro de nós, basta olhar e cuidar, independente dos “erros”.
Errar, quem não errou?
Erros maiores, erros menores, mas todos erramos, sendo o maior e menor medido desde já pelo julgamento que fazemos às situações.
Não acredito em más pessoas, acredito que há pessoas que sofrem e nesse sofrimento posso inflingir a outros experiências menos agradáveis, mas no fundo, essas mesmas experiências não retiram o merecimento da felicidade e de um caminho de conhecimento e amor.

Estará na altura de percebemos o que condiciona esta ideia de merecimento, porque todos merecemos ser felizes, só precisamos de nos permitimos a sê-lo.
Se alguém nos disser que não merecemos ser felizes, talvez essa mesma pessoa esteja a projectar em nós, uma dificuldade e um sofrimento dela.

Assumamos a responsabilidade das nossas experiências e aprendamos algo sobre nós e o mundo com elas, mas assumamos também a responsabilidade de ser felizes com todos as experiências vividas, e aprendamos simplesmente algo mais sobre nós e o mundo.

Diana

Fotografia | Ana Tobias

A vida dos outros…

Ninguém sabe da vida de ninguém, embora, toda a gente interprete,

toda a gente dê opinião, toda a gente veja a partir dos seus olhos, uma vida que não é a sua.

Mas se não é a sua, o que vê então?

Uma vida que não conhece?

Uma vida que não compreende?

Ou vê-se a si próprio, na vida dos outros?

Será que não vê parte de si?

Será que não vê aquilo que gostava de fazer e não é capaz?

Será que não vê uma dimensão de si próprio?

Só se fala na vida dos outros quando não se consegue falar da própria vida, com a transparência necessária, que às vezes dói, e que traz outras tantas coisa à tona.

No fundo, falar da vida dos outros, é o reflexo da incapacidade de se falar da própria, porque no fundo, ninguém sabe da vida de ninguém, do mundo interior que habita num corpo e que reflete numa vida.

Dos outros, só os outros sabem, da nossa, é uma missão de desafio elevado, mas de sucesso garantido.

Que importa o que os outros falam de nós, ou quando esse ato só manifesta uma incapacidade para falar de si?

Que importa o que os outros falam de nós, se só se reflecte um espelho de si mesmos?

Talvez não importe nada,

nem a nossa aos outros, nem a dos outros a nós.

Simplicidade

Talvez uma das maiores riquezas da vida seja a simplicidade.

A simplicidade no pensar, no sentir, e no fazer.

Complicamos muito e vivemos pouco.

Tudo é um problema quando achamos que a vida é para viver de forma pesada e sem simplicidade.

Criamos desgraças onde não as há, e não vemos graça onde ela existe.

Criamos precipícios quando vivemos sem aceitação pelo momento.

Achamos que tudo corre mal, e não fazemos o suficiente para ser diferente, quando continuamos a fazer as mesmas coisas à espera de um resultado diferente.

Esperamos o pior, e vivemos para esquecer.

Pensamos tanto e meditamos tão pouco.

Criamos armadilhas em todo lado, e presos nelas ficamos à espera que algo mude à nossa volta, que nos faça sentir melhorzinhos, mas dificilmente bem, porque bem, ninguém vive, nem viverá. A vida é difícil e sempre vai ser, acreditamos nós, acreditando também que viemos à vida para sofrer, e não para viver, com simplicidade, inteligência e curiosidade pelo que vem.

Viver no presente com simplicidade vai ser difícil, enquanto continuarmos a achar que é difícil.

Viver com esperança, pode ser uma ilusão, mas talvez a vida acabe quando deixarmos de estar iludidos, e ilusão por ilusão, talvez a esperança nos traga a simplicidade e a vontade de viver bem, e com a alegria no momento.

Simplificar o nosso mundo, será uma porta aberta à paz no presente e à esperança no amanhã.

Diana

Fotografia | Ana Tobias