Ciumes!

Acredito que as relações não precisam do ciúme para viverem nem para serem acesas. 

O ciúme destrói as relações, mina a estabilidade, a espontaneidade, a simplicidade e a vida da própria relação. 

O ciúme surge quando um ou os dois elementos da relação não gostam o suficiente de si próprios, não reconhecem o seu próprio valor enquanto pessoa. 

Deste sentimento de inferioridade nasce a crença que há alguém que pode desempenhar melhor o seu papel e trazer à outra pessoa algo que ela não tem nem é capaz de trazer. 

 Aliada à insegurança e à falta de auto-estima, surge o ciúme com o forte desejo de controlo e apego. 

Ninguém é de ninguém, ninguém é dono nem propriedade de outro por muito que partilhem juras de amor eterno, filhos, bens e afins. 

À partida, se duas pessoas estão numa relação é porque querem as duas, porque faz sentido para as duas. A partir do momento que um dos dois quer sair, só se deve deixar partir, acreditando, que se assim é, será melhor para os dois. 

Não é o desejo de controlar o que a outra pessoa faz, como se veste, com quem fala e onde vai, que vai aproximar os dois elementos da relação, antes pelo contrário. 

Grande parte das vezes, esta necessidade de controlo por falta de amor próprio e de confiança, gera sufoco e prisão na outra pessoa da relação. Se partimos do pressuposto que somos livres para amar, e vivemos bem na nossa pele imperfeita, porquê controlo? Porquê ciúme? 

Não é por estarmos nós mulheres numa relação com um homem, que vamos ficar cegas e deixar de ver que há outros homens bonitos no mundo. Não é pelo facto de os homens estarem com uma mulher que vão deixar de concluir que também o mundo tem outras mulheres bonitas e interessantes. 

Quanto ao facto de o ciúme apimentar as relações, acho que se trata de um clichê como tantos os outros, que justifica a nossa falta de segurança e amor próprio, nada mais. 

Se há alguém que está connosco, que gosta de nós, que observa que no mundo há muitos outros homens e mulheres interessantes, mas que é connosco que quer estar no presente, por muitas outras escolhas que tenha: perfeito! 

Ciúme, não obrigada, é tóxico e destrói tudo por onde passa.
Diana

Fotografia | Ritabela Santos 

Projeto | Liberdade Provisória 

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5 Comments on “Ciumes!

  1. Muitos de nós partilhamos a mesma confusão.
    Com tanta ênfase colocada no amor, não é de surpreender com o facto de este, por muito que nos possa elevar, também poder desapontar-nos e derrubar-nos tão eficazmente como nos fez voar. Quando isso acontece, quando nos defrontamos com o outro lado do amor, ficamos atordoados e sentimo-nos enganados. Achamos que isso não pode ser amor, uma vez que nos sentimos tão mal. Talvez nos retiremos para um mundo interior, sem esperança nem optimismo, emocionalmente intocado e intocável.
    Podemos optar por estar sempre a mudar de parceiro, á procura de um amor perfeito, sem nunca perceber que o erro é nosso. Outros optam por conviver com o assassino da sua propria alma, até que a morte os separe. Outros optam por avivar as chamas da raiva, porque na sua ausência, só lhes resta a dor excruciante. Outros sentem absolutamente nada, tal é o medo de a dor ser insuportável. Alguns ficam desapontados mesmo sem ter sentido a dor aguda de um amor que não resultou, conformam-se com uma rotina enfadonha quando a luz do amor de outrora vai definhando trémulamente sem se extinguir totalmente.
    Perguntamo-nos a nós próprios o que é o amor. É arrebatamento ou satisfação tranquilia?
    Queremos todos conhecer a a natureza do amor. É eterna ou acaba?
    O amor é um sentimento que assola sem esforço ou é um compromisso trabalhoso para uma melhor compreensão e respeito mútuos?
    A origem do amor está no nosso coração ou na nossa cabeça? Muitas vezes permaneçemos perdidamente confusos acerca das decisões amorosas. Não é de surpreender que tantos de nós sofram por não saber como fazer funcionar o amor nas nossas vidas.. A maior parte tem pouco discernimento, treino ou informação sobre a forma de sustentar os relaçionamentos amorosos que são constantemente assaltados pelas exigências, as complicações e os aborrecimentos do dia a dia.
    Passamos a maior parte do tempo a “sublimá-lo”. Andamos guiados por uma intuição instintiva qualquer, com a qual fomos abençoados, mas a maior parte das vezes isso não chega.
    A verdadeira razão da nossa grande confusão sobre o amor tem a ver não tanto com a nossa inadequação ou com a daqueles que amamos, mas com as expectativas que depositamos no próprio amor.
    No entanto, a natureza mítica do amor insiste em perseguir-nos.
    Desejamos que ele nos complete, que nos salve de toda a miséria humana.
    Acreditamos que o amor deve ser apaixonado e alegre. Ansiamos que ele seja puro!
    Achamos que deve ser invariável na sua intensidade e que deve durar eternamente. Supomos que ele descerá sobre nós sem esforçoalgum da nossa parte. Esperamos que ele nos liberte de todas as angústias. Tudo isso são pesadas expectativas que transportamos para as nossas experiÊncias amorosas. Como não ficar confusos e desapontados quando a face que o amor nos apresenta é tão diferente daquela que queríamos que tivesse?
    Quando o amor é verdadeiro não existe lugar para confusões, ambos os corações mandam.
    😉

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  2. Amar-te é ter te nas minhas mãos abertas para que voes ,livre sempre que quiseres e voltes para me abraçar.

    Diana, é um prazer a sua escrita.
    Pena é que grande parte das pessoas não pensem desta forma.
    Obrigada pelos momentos que me proporciona.

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  3. Ao ler a maravilha dos seus comentários, tenho a sensação de que viveu a minha vida… E que realmente a minha transformação interior foi positiva. Pois identifico me o que escreve. Obrigado

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