Aquilo que os outros nos fazem

Arranjamos sempre argumentos para não estarmos bem, alguns bem legítimos outros nem tanto. 

 Há sempre algum problema, alguma dificuldade. 

 Há sempre alguém que nos perturba, nos incomoda ou nos magoa.

Não somos permeáveis a algumas destas situações e muitas vezes sentimos que nada corre bem nas nossas vidas, por culpa dos outros, grande parte das vezes. 

 Os outros é que nos fazem tudo, é que estão errados, é que não nos percebem, é que nos enganam, é que nos incomodam. 

Quando assim o sentimos entramos com muita facilidade nesta espiral de vitimização, que nos desresponsabiliza daquilo que vamos fazendo e daquilo que vamos permitindo que os outros nos façam também.

De facto, uma quota parte daquilo que vamos vivendo advém da nossa vida em comunhão, e do que os outros também nos vão fazendo. No entanto, podemos e devemos sempre transformar aquilo que vamos vivendo a favor do nosso bem-estar e equilíbrio emocional. 

Não controlamos aquilo que nos vão fazendo, mas podemos transformar aquilo que vamos sentindo e vivendo.

É mais fácil assumir uma postura de vitimização e queixarmo-nos de tudo e todos e nada fazer, do que transformar e assumir a nossa parte de responsabilidade, levantarmo-nos e seguir em frente, mais ou menos arranhados, mais ou menos sofridos.

Não adianta vitimizarmo-nos atribuindo aos outros os motivos da nossa infelicidade, da nossa angústia, da nossa tristeza, da nossa fúria. 

Aquilo que vamos vivendo também é construído por nós, e a decisão de ficar nesse momento difícil ou de o ultrapassarmos é nossa. 

 O mundo não gira à nossa volta mas podemos fazer girar o nosso da melhor forma possível, sem grandes manifestações de egos e com a maior simplicidade e o desapego possível. 

Fácil não é, impossível também não. 

 Diana 

 Fotografia | Ana Tobias

O amor e as suas (in)certezas

“Só vou estar bem se estiver seguro que a pessoa que amo também me ama a mim, com a certeza que nunca me vai abandonar” – não será de todo verdade, por muito que se possa sentir assim.

As relações precisam de estabilidade e segurança, precisam de um projecto que deve ser cuidado diariamente em função daquilo que ambos querem viver.

No entanto, ninguém dá ao outro o que ele não tem, nem ninguém pode exigir do outro, o que só ele pode conquistar e construir dentro de si, portanto, se alguém deseja sentir-se seguro com uma relação é porque não se sente seguro consigo próprio, depositando essa necessidade no outro e na própria relação em si.

E talvez aí se esteja a viver uma dependência e não um amor.  Quando assim é asfixia-se e destrói-se a relação e o sentimento em si, por assente em pilares frágeis e em desequilíbrio, e de se pedir ao outro, algo que só o próprio pode construir, e que o outro nunca vai conseguir dar.

O medo de perder o outro e a necessidade de depositar nele tudo aquilo que é e necessita, acaba por construir ciúme, necessidade de controlo, listas de reclamações, listas de necessidades, listas de falhas…porque se espera que o outro dê aquilo que não se consegue gerar sozinho, porque se depende do outro para viver e respirar.

Esta forma de viver as relações como salvadoras de vidas e de amores-próprios tornam as relações pouco saudáveis e egocêntricas, com falta de harmonia e paz. Deposita na relação algo que só o próprio pode construir dentro de si.

Espera-se sempre que o outro traga a felicidade, a estabilidade, o amor e a segurança, quando estas construções só podem ser pessoais…

As relações são encontros, são partilhas, de vidas e histórias, de medos e angústias, de crescimento e amor, onde cada um dá aquilo que consegue e quer dar.

O amor não é uma dependência e muito menos uma doença.

É uma partilha de vida com tudo o que ela tem, onde cada um assume que a felicidade dos da relação, será sempre o somatório da felicidade de cada um, sem a necessidade de saber se será para sempre, porque o amor como tudo o resto, só se consegue viver um dia de cada vez.

Diana

Fotografia | Teresa Lamas Serra

Não mudas ninguém

Não mudas ninguém, nem podes, nem deves. Só é possível mudares-te a ti mesmo, a mais ninguém.

Por muito que aches que tens esse poder dentro de ti acredito que não é verdade, só o próprio tem a capacidade de se mudar, porque quer, porque sente essa vontade, porque está motivado para isso, porque essa mudança faz sentido para si.

Por muito que julgues querer mudar o outro, para o outro se sentir melhor, não o conseguirás, porque não és Deus, nem a personagem principal de uma história que não é a tua, embora possas contracenar nela. E no fundo, não sabes se os caminhos que ofereces para a mudança de facto farão a outra pessoa sentir-se melhor.

Se julgas mudar alguém, talvez julgues mal, porque ninguém muda ninguém.

Podes ajudar o outro no seu processo de mudança, podes dar-lhe as ferramentas que julgas serem as melhores para sair da dor em que se encontra, podes dar-lhe o mundo até, mas o outro só vai mudar se quiser, se estiver motivado para isso, e se tiver consigo a coragem necessária para a mudança acontecer.

Se tens ao teu lado alguém que gostavas que mudasse, dá-lhe apenas a tua amizade e o teu amor, e aceita, que essa pessoa só vais mudar quando quiser, quando esse passo fizer sentido para si, nada mais.

Concentra-te em ti, no teu processo de mudança com a empatia suficiente para compreenderes o outro, mas com a certeza também que ele só mudará quando quiser.

Diana

Fotografia | Ritabela Santos

Como queres mesmo viver?

A tua vida está onde estão os teus pensamentos,

e a qualidade dos teus pensamentos,

determina a qualidade da tua vida, e da tua energia. 

Aquilo que pensas determina a forma como te levantas e a forma
como te deitas,

Aquilo que pensas determina a tua coragem, 

 Aquilo que pensas determina o tamanho do teu sorriso, 

 Aquilo que pensas determina a tua força interior e a tua flexibilidade para te articulares entre os impossíveis que não existem, e os possíveis que te fazem crescer avançar, 

 Aquilo que pensas determina o entusiasmo com que vives,
determina a tua vontade, e a motivação que tens para viver os diferentes desafios da vida, 

Aquilo que pensas determinada aquilo que és. 

Se a tua vida é um drama é porque não a simplificas, 

Se a tua vida é um desafio é porque a ousas viver, 

Se a tua vida é uma novela onde és vitima na tua própria história, é porque queres a atenção dos outros pelos teus dramas e não por aquilo que és, 

Se a tua vida é pesada e dura, é porque respiras pouco, pensas demais e reciclas muito pouco. 

 Se a tua vida é triste é porque não esperas o melhor, 

 Se a tua vida é carrossel é porque não lhe dás o equilíbrio para fluir,

 Se a tua vida não flui é porque a queres controlar causando-lhe pressão, 

 Se a tua vida não está bem,

muda-a,

começando por mudares conscientemente aquilo que pensas. 

 Como queres mesmo viver? 

 O que estás disposto a pensar e a fazer? 

Diana 

 Fotografia | Teresa Lamas Serra

Tempo para quê?

Por vezes o sofrimento mantém-se porque lhe damos atenção, porque lhe damos tempo, porque lhe damos a oportunidade para se manter. Quando estamos focados naquilo que queremos (não no que não queremos!), naquilo que queremos atingir, naquilo que nos faz bem, naquilo que faz parte dos nossos desejos e objetivos, acabamos por não ter tempo para pensar naquilo que nos faz sofrer, ou naquilo que não interessa nem acrescenta nada ao nosso presente. Talvez a expressão, “estou tão absorvido no que estou a fazer, que nem tenho tempo para pensar em mais nada”, exemplifique a ideia central. Grande parte das vezes estamos a sofrer ou alienados por coisas que já passaram, que já nem fazem parte de nós, que não podemos mudar, e nas quais já não podemos fazer nada. Quantas vezes deixamos de estar concentrados no tempo presente porque estamos a passar o tempo presente a pensar no que já passou? Quanto trabalho pessoal e profissional fica por fazer no presente porque estamos mergulhados no tempo passado ou naquele que virá, estagnados horas, dias, anos…sem nada fazer por nós e por aquilo que de facto nos faz bem e depende exclusivamente de nós?
Parte do nosso sucesso pessoal e profissional passa por aquilo que fazemos com o nosso tempo, nomeadamente com o tempo mental. Onde está a nossa cabeça está a nossa vida, e assim sendo, grande parte das vezes perpetuamos o sofrimento e algum tipo de dor porque não estamos sintonizados em investir a nossa mente naquilo que podemos viver agora. Viver concentrado no que se quer, descobrir e ouvir aquilo em que de facto se acredita é fundamental para viver uma vida focada no nosso sucesso pessoal e profissional. Se no agora estivermos a remoer aquilo que vivemos à dias ou anos atrás, e não estivermos a fazer aquilo que precisamos para chegarmos onde queremos, estamos por um lado a solidificar o sofrimento porque o estamos a alimentar com tempo, e por outro, a adiar aquilo que de facto podemos fazer por nós e pelo nosso bem-estar.
Mergulhados naquilo que queremos, movidos de forças e virtudes, chegaremos de certo todos à meta desejada, a viver cada etapa com consciência, paz e atenção plena.

Diana

Fotografia | Ritabela Santos

Amor ou posse?

Analisamos os outros constantemente, principalmente aqueles que amamos. Somos peritos em achar que sabemos o que é o melhor para eles, que escolhas devem fazer, que vida devem levar, achando também que precisamos que façam aquilo que achamos melhor para eles e para nós, porque os amamos. Será esta necessidade de querer que o outra faça aquilo que achamos melhor, o amor? Acredito que não. O amor é liberdade não controlo, é liberdade para que cada um dos envolvidos expresse, viva, escolha e delibere aquilo que lhe faz sentido para si de ser e viver. É aceitar que há um espaço em comum que deve ser diariamente cuidado, mas que esse só fará sentido se cada um dos envolvidos, tiver e mantiver o seu espaço próprio, com os seus desejos e vontades, com as suas necessidades. A aceitação é o único caminho para a liberdade de amar, porque amar é respeitar e aceitar que a pessoa que amamos, possa não desejar as mesmas coisas que nós, e aí, se for amor e não posse, consegue-se dar ao outro aquilo que é necessário para o amor fluir: espaço e liberdade de escolha. Isto porém, não significa que numa relação de amor, tenham de concordar os dois com as mesmas coisas. Aceitar e concordar são duas atitudes completamente diferentes, mas que se devem complementar, e quando assim é, a partilha do que se sente e pensa, dos desejos e vontades, da concordância ou da falta dela, é clara e transparente. Só assim vive o amor verdadeiro, onde ninguém é de ninguém, onde se constrói um projecto comum, sediado na liberdade pelos desejos do outro, sem a vontade incontrolável que o outro mude para satisfazer a nossa vontade. Só há um responsável pela vida de cada um: o próprio, e se é o único responsável, e o único que de facto tem o poder sobre a sua própria vida, o amor, como lei primordial, não poderia ser outra coisa do que liberdade e aceitação. Quando nos livramos da posse e da vontade de controlar a vida dos outros, e que os outros controlem a nossa, não há reivindicações nem listas de reclamações, porque se sabe que na vida que se contrói a dois, cada um tem a sua liberdade e não está dependente do outro para ser feliz. “Se mudares seremos mais felizes”… será? Dependerá a nossa felicidade da mudança que queremos que o outro faça? Também aqui acredito que a felicidade de cada um, só de cada um depende. O amor dá cor e outro significado à vida, mas não dá nada, o que a vida já não tenha, e quando assim é entendido e sentido, então sim, é amor.

Desafios

Se na vida te surgem obstáculos,
aproveita-os a todos.
Sim a todos,
todos eles te vão permitir conhecer partes de ti,
todos eles te vão permitir perceber se o caminho onde estás, está em concordância com o caminho que queres seguir,
todos eles te vão permitir refinar e aperfeiçoar a pessoa que és,
todos eles te vão tornar mais forte,
Mais audaz,
Mais confiante,
Mais resiliente,
Mais criativo,
Mais homem e mulher,
todos eles serviram para que aquilo que queres atingir seja mais saboroso e gratificante.
Todos,
mesmo que não o consigas ver agora,
mesmo que o teu querer te pareça fugir pelas mãos e pelos pés,
Levanta-te,
E avança de forma fluida sem armas e pleno de amor por ti,
Sem pena,
E em plena lucidez.

Diana

Fotografia | Teresa Lamas Serra

Escolas de Paz

Sonho com uma escola de amor, onde o foco é aprender, aprender a ser, aprender a estar, aprender a dar, aprender a amar, aprender a respeitar, aprender a escutar, aprender a crescer com conhecimento, valores e princípios.

Sonho com uma escola de paz, onde a partilha é um bem comum, e a competição não é cultivada, onde os desempenhos de cada um, só a cada um dizem respeito, onde a subjectividade é premiada e a diferença cultivada, onde não há prémios para os melhores e rótulos para os piores.

Sonho com uma escola onde não há piores nem melhores, apenas crianças diferentes, que aprendem de forma diferente, nem melhor nem pior.
Sonho com uma escola que questione, que interrogue, que esteja aberta à mudança, a programas adequados à idade das suas crianças.
Sonho com uma escola que veja a criança como criança, e não como um adulto.
Sonho com uma escola de cores, onde a criatividade é alimentada, explorada, e fomentada.
Sonho com uma escola onde as abraços são ensinados, e o diálogo a única forma de resolver conflitos.
Sonho com uma escola que dê voz, às vozes que dela fazem parte.
Sonho com uma escola que acolha o erro como parte integrante de qualquer aprendizagem.
Sonho com uma escola onde aqueles que ensinam sabem que a qualquer aprendizagem deve anteceder a conquista afetiva daqueles a quem se quer ensinar.
Sonho com uma escola onde os adultos que a modelam, são adultos de paz e amor, com a missão clara do seu papel de educadores.
Sonho com uma escola de silêncio, de meditação e de educação para a vida e para o amor.
Sonho com uma escola imperfeita, onde todos desejam aprender e crescer, onde a missão é o florescimento humano.

Diana

Fotografia | Teresa Lamas Serra – Desenhos dos + pequeninos. Tema da Paz – Fev.2013

Sempre com amor

Excesso de regra intoxica,

ausência de regra desorienta.

Excesso de regra stressa,

ausência de regra cria ditadores.

Excesso de regra abafa,

ausência de regra desgoverna.

Excesso de regra cria necessidade de confrontar,

ausência de regra cria ambivalência e desorganização emocional.

Excesso de regra aprisiona,

ausência de regra constrói eus insensíveis à sensibilidade dos outros.
Precisamos…

de brincar com brinquedos,

de descomplicar,

de dançar,

de firmeza,

de desarrumar para voltar a arrumar,

de doçura,

de tempo,

de sujar,

de pular,

de olhar nos olhos,

de escutar,

de comer à mesa e a horas,

de abraçar,

de disponibilidade emocional,

de perceber quem é o adulto,

de perceber quem é a criança,
e não pedir aquilo que não faz,

sensibilidade e bom-senso,

de ser criança para brincar e adultos para modelar e orientar,

sempre com amor.

in Crónicas de uma vida que se vive todos os dias

Diana

Fotografia | Diana

Sorriso amarelo?

Facilmente ouvimos conselhos de pessoas que nos são próximas, do género: “Sorri! Pensa positivo! Mesmo que estejas mal, coloca um sorriso (amarelo)…
Sabemos que estes conselhos surgem do carinho e do bem que essas pessoas nos querem, no entanto, surgem muitas vezes como pensos rápidos, que mascaram aquilo que vive em nós e que tem de ser olhado, trabalhado e transformado. Todos nós ficamos tristes, temos assuntos internos para resolver, sofremos, temos momentos de dor e algum tipo de conflito. Todos. Só nós sabemos o que vive em nós, o que nos atormenta e entristece, e assim sendo, só nós podemos resolver e transformar esses mesmos conflitos em momentos de aprendizagem e escolha. Não acredito em pensos rápidos de sorrisos superficiais. Acredito que aquilo que nos provoca dor, pode ser uma alavanca de crescimento para nos encontrarmos e aprendermos a viver de forma mais equilibrada e satisfatória. Acredito também que muitas vezes, sorrisos forçados ou pensamentos positivos não construídos, ainda geram mais frustração e mal-estar porque mantêm o aparentemente bem, onde só a aparência está de facto bem. O que era a nossa vida sem desafios? Sem momentos de algum desconforto que nos fizessem avançar e mudar? Talvez uma monotonia e sem momentos de autoconhecimento para desmontar crenças, conceitos e formatações mentais cristalizadas. Se há momentos em que não estamos bem, talvez seja mais importante admitirmos que não estamos bem, sem exigirmos aos lábios sorrisos amarelos. Se por um lado há alturas em que não conseguimos sorrir, é importante que a tristeza não vire rotina e a rotina seja procrastinar. Consciência em nós, no que vive no nosso coração, na nossa mente, e motivação para voltar a sorrir sim, com vontade franca e olho a brilhar.

Pensamos positivos sim, mas com sinceridade e alicerçados numa forma positiva de ver a vida e de a viver.

Diana

Fotografia | Teresa Lamas Serra